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Dia Mundial do Café: delivery impulsiona bebidas mais elaboradas

Dia Mundial do Café: delivery impulsiona bebidas mais elaboradas
Denys Gromov - Pexels

Pedidos de café da manhã avançam nos apps, e versões como latte, cappuccino e cafés gelados ganham espaço mesmo com a pressão dos preços.

Atualizado em 14 de abril de 2026 às 15:35

Nesta terça-feira, 14 de abril, quando o Brasil celebra o Dia Mundial do Café, os dados mais recentes ajudam a explicar uma mudança no consumo: o cafezinho segue forte na rotina do país, mas cresce a procura por bebidas mais elaboradas no delivery, especialmente no café da manhã e nas opções geladas. O movimento combina conveniência, mudança de hábito e busca por experiências que vão além da xícara tradicional.

O que os números mostram agora

O mercado brasileiro continua gigante. Segundo a ABIC, o país consumiu 21,409 milhões de sacas em 2025, segue como o segundo maior consumidor mundial e mantém o café presente em 98% dos lares.

Ao mesmo tempo, o comportamento de compra mudou. Em levantamento divulgado pelo iFood, os pedidos de café da manhã cresceram 31% entre o segundo trimestre de 2023 e o segundo trimestre de 2024. Metade dessas compras saiu de padarias, um sinal de que bebidas e combos matinais ganharam peso no delivery.

Há ainda um avanço mais amplo do consumo fora de casa e no canal digital. Dados da Worldpanel by Numerator, da Kantar, mostram que o café da manhã cresceu 13% fora do lar no acumulado até junho de 2025. No mesmo período, o canal digital voltado ao consumo fora de casa avançou 16%, reforçando a digitalização do hábito alimentar.

Por que as bebidas elaboradas ganham espaço

Esse crescimento não significa apenas mais pedidos de café coado. Parte da expansão vem de bebidas com maior valor agregado, como latte, cappuccino, mocha, macchiato, café gelado, cold brew e combinações com leite, caldas, especiarias ou chantilly.

Uma pista importante está no consumo de cafés gelados. Em reportagem da Revista Espresso, com base no estudo Project Cup Brasil, da Nielsen, executivos da Nestlé afirmaram que o consumo de café gelado cresceu 45% em 2023 ante 2022. O avanço foi associado principalmente ao público jovem e à circulação de receitas nas redes sociais.

Na prática, o delivery favorece esse tipo de bebida por três razões. A primeira é a conveniência: pedir um cappuccino, um latte gelado ou um combo com café e acompanhamento economiza tempo de preparo em casa. A segunda é a experiência: muitos consumidores passaram a tratar o café como pequeno prazer do dia, não só como estimulante. A terceira é o cardápio: cafeterias e padarias ampliaram a oferta para atender diferentes momentos de consumo, do café da manhã ao lanche da tarde.

O preço mais alto mudou o jeito de consumir

O cenário não é de consumo sem freio. A própria ABIC registrou queda de 2,31% no consumo total em 2025, em um ano marcado pela pressão dos preços no varejo. Isso ajuda a entender por que parte do público ficou mais seletiva: toma menos café em volume, mas quando compra fora ou pede por app busca algo mais completo, com melhor apresentação, personalização e sensação de recompensa.

Essa lógica ajuda o delivery de bebidas elaboradas. Em vez de competir apenas por preço com o café feito em casa, cafeterias e padarias tentam vender uma experiência pronta: bebida quente ou gelada, leite vegetal ou tradicional, doce, salgado e entrega rápida em um único pedido.

O que muda para cafeterias, padarias e consumidores

Para os estabelecimentos, o recado dos dados é claro: há espaço para crescer no horário da manhã e em categorias de maior valor. O levantamento do iFood mostra que só 19% dos parceiros estavam abertos nesse período quando o estudo foi divulgado, o que indica margem para expansão.

Na ponta do consumidor, a tendência deve aparecer em cardápios mais variados, com mais opções sazonais e geladas, além de combos pensados para o café da manhã e para o lanche. O café tradicional segue dominante no Brasil, mas o delivery abriu uma nova vitrine para versões mais elaboradas, que unem praticidade e indulgência.

No Dia Mundial do Café, o retrato é esse: a bebida continua central na cultura brasileira, mas o jeito de consumi-la está mudando. Cada vez mais, o pedido não é só por café — é por uma experiência pronta para chegar à porta de casa.

Autor

Biólogo e Médico Veterinário, com atuação voltada à saúde e bem-estar animal. Possui interesse nas áreas de clínica médica de pequenos animais.