A taxa de desemprego no Brasil ficou em 6,1% no trimestre encerrado em março de 2026, informou o IBGE nesta quinta-feira, 30. O resultado representa alta de 1,0 ponto percentual ante o trimestre até dezembro, mas ainda é o menor nível da série histórica para trimestres encerrados em março, iniciada em 2012. Ao mesmo tempo, a renda média do trabalho e a massa salarial renovaram recordes.
O que mudou no mercado de trabalho
Na prática, o início do ano trouxe uma piora na comparação com o fim de 2025, quando a taxa estava em 5,1%. Ainda assim, o quadro segue melhor do que o de um ano antes: no trimestre encerrado em março de 2025, o desemprego estava em 7,0%.
Segundo o IBGE, a população desocupada chegou a 6,6 milhões de pessoas, alta de 19,6% no trimestre, o equivalente a mais 1,1 milhão de brasileiros procurando trabalho. Já o número de ocupados caiu para 102,0 milhões, recuo de 1,0% frente ao trimestre anterior.
O nível de ocupação, que mostra a parcela de pessoas trabalhando dentro da população em idade de trabalhar, passou de 58,9% para 58,2%. A taxa composta de subutilização da força de trabalho, indicador mais amplo que inclui desempregados, subocupados e pessoas disponíveis para trabalhar, subiu para 14,3%.
Por que o desemprego subiu mesmo com mínima histórica
Os dados mostram um movimento típico do começo do ano: o mercado perde fôlego depois do período de contratações sazonais do fim de ano e do encerramento de parte dos vínculos temporários. Isso ajuda a explicar por que a taxa subiu na margem, mas ainda permaneceu em um patamar historicamente baixo para meses de janeiro a março.
Na comparação com o trimestre anterior, o IBGE apontou queda no número de ocupados em três grupamentos: comércio, administração pública e serviços domésticos. Juntos, eles perderam mais de 870 mil postos de trabalho no período.
Renda recorde suaviza leitura negativa
Embora a taxa de desemprego tenha subido, outros indicadores do mercado de trabalho vieram mais fortes. O rendimento médio real habitual chegou a R$ 3.722, novo recorde da série, com alta de 1,6% no trimestre e de 5,5% em relação a um ano antes, já descontada a inflação.
A massa de rendimentos, que soma os ganhos de todos os trabalhadores, também renovou máxima e alcançou R$ 374,8 bilhões. Esse dado importa porque ajuda a medir o potencial de consumo das famílias e costuma ter impacto sobre comércio e serviços.
Informalidade recua
A taxa de informalidade ficou em 37,3% da população ocupada, o equivalente a 38,1 milhões de trabalhadores. O percentual ficou abaixo tanto do trimestre anterior quanto do mesmo período de 2025.
Entre os principais recortes do levantamento, o número de empregados com carteira assinada no setor privado ficou em 39,2 milhões, sem variação estatisticamente significativa no trimestre, mas com alta na comparação anual. Já os trabalhadores sem carteira no setor privado recuaram para 13,3 milhões.
O que esse resultado significa agora
Para o leitor, o dado desta quinta-feira traz uma mensagem dupla. A primeira é que o mercado de trabalho perdeu força em relação ao fim de 2025, algo relevante para setores mais dependentes de consumo e de contratações sazonais. A segunda é que, olhando um prazo maior, o emprego continua em nível relativamente robusto, com desemprego abaixo do registrado há um ano, renda mais alta e informalidade em leve queda.
Isso significa que o cenário não é de deterioração generalizada, mas de acomodação depois de um fim de ano mais aquecido. Os próximos resultados da PNAD Contínua serão importantes para mostrar se a alta do desemprego foi apenas sazonal ou se haverá um enfraquecimento mais persistente do mercado de trabalho.
Quando sai o próximo dado
De acordo com o calendário do IBGE, a próxima divulgação da PNAD Contínua mensal, referente ao trimestre encerrado em abril, está marcada para 28 de maio de 2026.