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Demissão voluntária bate recorde em 2025

Demissão voluntária bate recorde em 2025
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Quase 9 milhões pediram desligamento num contexto de desemprego a 5,4%, salários reais em alta e mercado formal no maior nível desde 2020

Atualizado em 09 de fevereiro de 2026 às 20:32

Em 2025, perto de 9 milhões de trabalhadores pediram desligamento voluntário, segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, num cenário marcado por desemprego a 5,4%, rendimento médio real de R$ 3.613 (alta de 5% no ano) e um mercado formal no maior nível da série desde 2020, elementos que explicam por que deixar o emprego passou a ser uma estratégia cotidianamente adotada.

Recorde de desligamentos em meio a contratações elevadas

O dado de demissão a pedido ganha protagonismo justamente porque não veio acompanhado de retração geral do emprego. Pelo Novo Caged, 2025 fechou com saldo positivo de 1,27 milhão vagas com carteira assinada, resultado de 26,59 milhões de admissões contra 25,32 milhões de desligamentos.

O estoque de vínculos formais alcançou 48,47 milhões, o maior desde 2020, e ajuda a explicar a mudança de percepção: quando há mais oportunidades abertas, a saída deixa de ser exceção e passa a integrar decisões profissionais rotineiras.

Por que o trabalhador opta por sair

Com desemprego em 5,4% e renda real em alta, o risco de ficar sem recolocação diminui e o parâmetro de comparação salarial sobe. Nessas condições, pedir demissão pode significar uma transição planejada para uma ocupação melhor remunerada ou com condições superiores.

O efeito psicológico é relevante: além do ganho direto, pesa a avaliação sobre perspectiva de carreira, quando a trajetória aparente é ascendente, aumenta a tolerância a passos arriscados, como deixar um emprego estável para apostar em uma nova oportunidade.

Rotatividade como motor do mercado formal

O avanço do mercado formal reorganiza o atrito entre vaga e trabalhador. Mais admissões significam maior probabilidade de realocação por melhoria de salário, função ou ambiente.

Rotatividade elevada, nesse contexto, tende a refletir disputa por mão de obra e ajuste fino entre oferta e demanda, não necessariamente sinal de crise.

O ciclo é circular: contratações geram desligamentos voluntários, que, por sua vez, liberam vagas para novos ocupantes — uma dinâmica que reforça a liquidez do mercado de trabalho.

Alternativas e diversificação de renda

A movimentação também foi alimentada por opções que fogem do vínculo clássico. Em 2025, o trabalho por conta própria cresceu 9,1%, enquanto a informalidade sofreu leve retração, segundo as pesquisas do período.

Plataformas digitais e modelos híbridos ampliam rotas possíveis: sair do emprego formal pode significar migrar para um projeto próprio, combinar fontes de renda ou assumir ocupações independentes, sem eliminar, porém, os riscos associados à perda de proteção trabalhista.

O que pode mudar em 2026

A dinâmica atual ocorreu mesmo com a Selic a 15% ao ano, um fator que pode atrasar efeitos de desaquecimento nas contratações. Para 2026, há projeções de desemprego entre 5,2% e 5,7% ao final do ano, sinalizando, na melhor das hipóteses, um ajuste moderado.

Se a desaceleração de salários e a redução do ritmo de admissões acontecerem, a demissão voluntária pode seguir elevada, mas com perfil distinto: menos troca imediata por oportunidade e mais movimentação orientada por proteção de renda e preservação de trajetória profissional.

O recorde de desligamentos em 2025 não é um dado isolado: conversa com desemprego baixo, ganho real de salários e um estoque de vínculos formais no topo. Juntos, esses fatores reduzem o custo de sair e ampliam a intolerância a empregos que não oferecem perspectiva, mudando a percepção pública sobre estabilidade no trabalho.

Autor

Advogada, apaixonada por livros e séries. Também atuo como editora de conteúdos de variedades, unindo informação, criatividade e comunicação.