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CPMI do INSS aprova quebra de sigilo de Lulinha

CPMI do INSS aprova quebra de sigilo de Lulinha
Reprodução

Sessão teve confusão, pedido de anulação e aprovações de convocações relacionadas ao Banco Master

Atualizado em 26 de fevereiro de 2026 às 15:31

A CPMI mista do INSS aprovou nesta quinta-feira (26) a quebra de sigilo bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como "Lulinha", filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante sessão marcada por votação simbólica e um tumulto entre parlamentares motivado pelo resultado e pela contagem dos votos.

Votação, pedido de anulação e reação da base governista

A votação ocorreu por contraste visual: deputados contrários se levantaram e os favoráveis permaneceram sentados, enquanto o presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), anunciou o placar verbalmente. Viana declarou que a pauta foi aprovada por 14 a 7, desconsiderando votos de suplentes.

Durante a sessão, o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) questionou a contagem e solicitou a anulação do resultado alegando "contraste" entre os votos visíveis. Pimenta afirmou que imagens da imprensa e da secretaria registravam o quadro e pediu recontagem ou a anulação, ameaçando levar o caso ao presidente do Congresso e fazer representação no Conselho de Ética caso não houvesse revisão.

O presidente da CPMI rejeitou o pedido de Pimenta, argumentando que a contagem tinha sido feita duas vezes e que o resultado permaneceria mantido. Após a votação, governistas se deslocaram à Residência Oficial do Senado para pedir formalmente ao presidente Davi Alcolumbre a anulação do ato, sustentando ainda que Lulinha não seria alvo de investigação.

Tumulto na sessão e relatos de agressão

Logo depois da aprovação, a sessão foi marcada por empurra-empurra e troca de acusações entre parlamentares. Governistas se aproximaram da mesa diretora para protestar, o que desencadeou o tumulto; houve relatos de socos e deputados precisaram ser apartados.

Entre os envolvidos no confronto estão o deputado Rogério Correa (PT-MG), o relator Alfredo Gaspar (União-AL), e os deputados Evair de Melo (PP-ES) e Luiz Lima (Novo-RJ). O deputado Luiz Lima afirmou ter sido atingido por um soco, enquanto Rogério Correa reconheceu ter dado o golpe ao ser empurrado e em seguida pediu desculpas a Lima. A sessão chegou a ser suspensa e foi retomada minutos depois com falas de parlamentares.

Outros requerimentos aprovados e convocações

Além da quebra de sigilo de Fábio Luís, a CPMI aprovou a convocação do ex-assessor do senador Weverton Rocha (PDT-MA), Gustavo Gaspar, e do ex-CEO do Banco Master, Augusto Ferreira Lima, para depoimento. Também foi autorizada a quebra de sigilo bancário e fiscal da empresa Master, em ações que ampliam as investigações sobre contratos e movimentações financeiras relacionadas ao caso.

Motivo da investigação e trajetória de Lulinha

A investigação contra o filho do presidente ganhou força após apreensões da Polícia Federal em que constariam trocas de mensagens entre Antônio Carlos Camilo Antunes, o "Careca do INSS", e a empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha e alvo de operação da PF. Segundo o relator Alfredo Gaspar, interceptações indicariam que um pagamento de R$ 300 mil destinado à empresa de Roberta teria como destinatário "o filho do rapaz", o que motivou a solicitação dos sigilos.

Fábio Luís Lula da Silva é o filho mais velho do presidente com a ex-primeira-dama Marisa Letícia. Formado em Biologia pela Universidade Paulista (UNIP), começou em funções discretas, como monitor no Zoológico de São Paulo, e depois migrou para o setor empresarial, tornando-se sócio da Gamecorp, agora G4 Entretenimento, empresa que passou a atuar na produção de conteúdo e manteve relações comerciais com grandes empresas de telecomunicações.

O nome de Lulinha já apareceu em investigações anteriores, incluindo menções na Lava Jato sobre repasses e contratos, e agora volta ao centro de um inquérito parlamentar que amplia o foco sobre possíveis intermediações e sociedades ocultas.

Autor

Advogada, apaixonada por livros e séries. Também atuo como editora de conteúdos de variedades, unindo informação, criatividade e comunicação.