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Cortisol e 'barriga': estresse provoca ganho de peso?

Cortisol e 'barriga': estresse provoca ganho de peso?
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Especialistas dizem que hormônio influencia metabolismo, mas aumento de gordura abdominal é multifatorial

Atualizado em 28 de fevereiro de 2026 às 08:25

O cortisol, hormônio ligado ao estresse, não é por si só a causa do ganho de peso no organismo em situações de estresse crônico, afirmam especialistas, como o endocrinologista Rafael Buck, diretor do Departamento de Adrenal e Hipertensão da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia; o acúmulo de gordura abdominal costuma resultar de diversos fatores cotidianos, e não apenas da elevação isolada do hormônio.

Como o cortisol age no corpo

Produzido pelas glândulas suprarrenais a partir de sinais do hipotálamo e da hipófise, o cortisol tem papel essencial no metabolismo, na regulação da glicose e na resposta imunológica. Em situações de ameaça ou esforço — seja físico, como lesões e doenças, seja emocional, como ansiedade e pressões constantes — o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal é ativado e a liberação do hormônio aumenta.

Além disso, a produção de cortisol segue um ritmo diário: é maior pela manhã e decai ao longo do dia, ficando baixa durante a madrugada e retomando elevação por volta das 4 ou 5 horas. Por isso, a qualidade do sono interfere diretamente na regulação dessa secreção; perturbações do sono podem alterar o padrão e provocar mudanças metabólicas.

Quando o excesso realmente leva ao ganho de peso

O aumento sustentado de cortisol só foi comprovadamente associado ao ganho de gordura corporal em condições patológicas, como na síndrome de Cushing. Essa síndrome decorre, principalmente, de tumores na hipófise ou do uso prolongado e excessivo de medicamentos corticoides.

No quadro de Cushing, é comum o acúmulo de gordura no abdômen e no rosto, além de perda de massa muscular, elevação da glicemia e maior suscetibilidade a infecções. Fora dessas situações clínicas comprovadas, variações no cortisol provocadas pelo estresse cotidiano não costumam, isoladamente, gerar ganho de peso significativo.

Segundo Rafael Buck, embora o estresse crônico possa elevar um pouco os níveis do hormônio, isso não explica por si só aumentos importantes na gordura abdominal: o ganho de peso observado em pessoas estressadas tem origem multifatorial.

Por que o estresse está ligado ao aumento de peso

Na prática, o estresse altera rotinas e comportamentos que favorecem o ganho de peso. Entre os fatores mais citados por especialistas estão o sedentarismo, a falta de tempo para preparar e fazer refeições com calma, e o consumo elevado de alimentos ultraprocessados.

Esses elementos, juntos com mudanças no padrão de sono e menor adesão a atividades físicas regulares, costumam explicar melhor o aumento de peso do que a variação isolada do cortisol. Em outras palavras, o hormônio participa do cenário, mas não é o único responsável.

Como reduzir o estresse e proteger o metabolismo

Para minimizar os efeitos nocivos do estresse no organismo, os especialistas recomendam intervenções no estilo de vida que atuem sobre as causas comportamentais e biológicas:

  • Praticar atividade física regular que também seja prazerosa, garantindo adesão a longo prazo;

  • Manter uma alimentação balanceada e evitar o excesso de ultraprocessados;

  • Cuidar do sono, buscando rotina noturna que favoreça sono contínuo e reparador;

  • Incluir práticas de relaxamento, como meditação ou técnicas de respiração, para reduzir a resposta ao estresse;

  • Estabelecer limites entre trabalho e tempo pessoal, desligando notificações fora do expediente e preservando momentos de lazer com família e amigos.

Essas medidas não só ajudam a regular os níveis de cortisol como também atuam sobre os demais determinantes do peso corporal, reduzindo o risco de acúmulo de gordura abdominal associado ao estilo de vida.

Em síntese, o cortisol é um componente importante da resposta ao estresse e da regulação metabólica, mas, na maioria dos casos, não é o agente único do chamado efeito "barriga de cortisol", que surge, na prática, da soma de hábitos, rotinas e, em cenários específicos, de doenças endócrinas comprovadas.

Autor

Advogada, apaixonada por livros e séries. Também atuo como editora de conteúdos de variedades, unindo informação, criatividade e comunicação.