Os Correios iniciaram nesta semana a venda de parte de seu portfólio imobiliário em leilões agendados para 12 e 26 de fevereiro em Brasília e em outras cidades, com a meta de levantar R$ 2 bilhões em receitas extraordinárias destinadas a compensar o déficit financeiro da estatal.
A lista de propriedades disponíveis ainda está em elaboração, mas ao menos 50 imóveis sem uso operacional já foram alienados para reforçar imediatamente o caixa da empresa.
Com a combinação de venda de ativos e corte de custos, a estatal busca reconquistar a sustentabilidade financeira sem repassar o ônus aos usuários dos serviços postais.
Detalhes dos leilões e metas de receita
A estatal programou dois novos certames para o próximo mês e pretende dispor de imóveis comerciais e terrenos que não impactam a entrega de correspondências e encomendas. A expectativa é que os recursos obtidos sejam integralmente destinados ao plano de recuperação financeira dos Correios.
Resultados da reestruturação e corte de custos
No final do ano passado, os Correios captaram R$ 12 bilhões em operações de crédito com o objetivo de estancar a crise de liquidez e financiar iniciativas de modernização operacional.
Além da venda de ativos, o pacote de reestruturação inclui o relançamento do Programa de Demissão Voluntária (PDV), aberto para até 15 mil empregados entre 2026 e 2027, com economia anual estimada em R$ 2,1 bilhões a partir de 2028.
Essas medidas combinadas visam reduzir a rigidez da estrutura de custos dos Correios, preparando a empresa para operar com maior eficiência e competitividade no médio prazo.
O plano também prevê o reequilíbrio do plano de saúde dos funcionários e a renegociação de passivos judiciais, iniciativas que somam uma expectativa de redução de despesas da ordem de R$ 5 bilhões até 2028.
Investimentos em modernização e expansão
Em paralelo ao corte de despesas, os Correios anunciam investimentos de R$ 4,4 bilhões para o período entre 2027 e 2030, financiados pelo Novo Banco de Desenvolvimento.
A parceria com o Novo Banco de Desenvolvimento sinaliza confiança internacional no potencial de recuperação dos Correios e garante as condições de financiamento em longo prazo.
Automação dos centros de tratamento de correspondências.
Renovação e descarbonização da frota de veículos.
Modernização da infraestrutura de tecnologia da informação.
Redesenho da malha logística.
O cronograma de gastos e as fontes de recursos foram estruturados para equilibrar as ações de eficiência com a ampliação das capacidades operacionais, reforçando a atuação dos Correios no mercado de encomendas expressas e logística.
Impactos e próximos passos
A alienação de imóveis representa um passo essencial para enfrentar o desafio fiscal que a empresa enfrenta, mas especialistas alertam que o sucesso do plano dependerá da execução rigorosa das demais iniciativas de corte de custos e investimento.
O acompanhamento desses indicadores será crucial para avaliar se a estatal atinge o equilíbrio financeiro e retoma o crescimento sustentável.