O consumo das famílias nos supermercados brasileiros fechou o primeiro trimestre de 2026 com alta real de 1,92%, segundo a Associação Brasileira de Supermercados (Abras). Em março, o indicador subiu 6,21% sobre fevereiro e avançou 3,2% na comparação com o mesmo mês de 2025, num resultado influenciado pela antecipação das compras de Páscoa e pelo calendário mais curto de fevereiro.
O que o resultado mostra
O dado da Abras funciona como um termômetro do consumo dentro de casa e acompanha o desempenho do varejo alimentar em diferentes formatos, como supermercados, hipermercados, atacarejo, lojas de vizinhança, unidades de proximidade e e-commerce. A série é calculada em termos reais, ou seja, desconta a inflação pelo IPCA do IBGE.
Na prática, o avanço de 1,92% indica que, mesmo com pressão de preços em parte da cesta de consumo, as famílias seguiram comprando mais no início do ano. O movimento veio depois de um primeiro bimestre mais moderado: até fevereiro, a alta acumulada era de 1,76%, segundo a própria Abras.
Por que março acelerou
A aceleração de março teve dois motores principais. O primeiro foi a antecipação das compras para a Páscoa, celebrada no começo de abril em 2026. O segundo foi o chamado efeito-calendário: fevereiro tem menos dias, o que reduz naturalmente o volume de compras e faz março parecer mais forte na comparação mensal.
Esse salto mensal ajudou a compensar a fraqueza vista em fevereiro, quando o consumo havia recuado 3,80% ante janeiro, embora ainda mostrasse crescimento de 1,95% na comparação anual.
O peso da inflação no carrinho
O ambiente para o consumo continua misto. De um lado, houve crescimento das compras. De outro, a inflação ainda pressiona o orçamento. Em março, o IPCA subiu 0,91% no mês e acumulou 1,87% no ano. Dentro do índice, os produtos alimentícios aceleraram de 0,26% em fevereiro para 1,65% em março, sinal de que a ida ao supermercado continuou exigindo mais seletividade do consumidor.
Como o trimestre se compara com 2025
O começo de 2026 foi positivo, mas mais contido que o de 2025. No primeiro trimestre do ano passado, a Abras havia registrado alta acumulada de 2,48%. A comparação sugere um consumo ainda resiliente, porém em ritmo um pouco mais moderado.
O que pode sustentar o consumo daqui para frente
Para o segundo trimestre, o setor acompanha a entrada de renda extra na economia. O governo federal antecipou o 13º de aposentados e pensionistas do INSS, medida que alcança cerca de 35,2 milhões de benefícios e representa R$ 78,2 bilhões em pagamentos entre abril e maio.
Também já está definido o cronograma dos lotes regulares de restituição do Imposto de Renda de 2026, com o 1º lote em 29 de maio e o 2º em 30 de junho. Esses repasses costumam reforçar o caixa das famílias e podem ajudar o varejo alimentar nas próximas semanas, embora o efeito final dependa do comportamento dos preços. Essa avaliação sobre possível estímulo ao consumo é uma inferência baseada na entrada programada de recursos e no histórico do setor.
Por que isso importa para o consumidor
Para quem acompanha o orçamento doméstico, o dado traz uma leitura dupla: as famílias continuam comprando, mas seguem fazendo escolhas sob pressão de inflação de alimentos. Se a renda extra prometida para abril, maio e junho ganhar força e os preços desacelerarem, o setor supermercadista pode manter um segundo trimestre mais firme. Se a inflação continuar apertando itens básicos, a tendência é de um consumidor ainda mais cauteloso, trocando marcas, reduzindo volume e priorizando promoções.