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Como escolher peixe na Semana Santa e fugir de fraudes

Como escolher peixe na Semana Santa e fugir de fraudes
Engin Akyurt - Pexels

Rótulo, gelo em excesso, selo de inspeção e nome da espécie estão entre os pontos que mais ajudam o consumidor a evitar prejuízo e risco sanitário.

Atualizado em 02 de abril de 2026 às 20:13

Na Semana Santa, quando a procura por pescado cresce e as ofertas se multiplicam, o consumidor precisa olhar além do preço. Os sinais mais úteis para evitar fraude e comprar com segurança estão na conservação, no rótulo, no peso real e na identificação correta da espécie. Em 2025, uma operação do Ministério da Agricultura retirou da internet cerca de 1.325 anúncios irregulares, que somavam mais de 65 toneladas de bacalhau, com indícios de propaganda enganosa e problemas sanitários.

O que olhar primeiro no ponto de venda

O filtro mais importante vem antes mesmo de analisar o peixe: observe o estabelecimento. Órgãos de vigilância sanitária recomendam priorizar locais regularizados, com licença sanitária, estrutura de refrigeração adequada e pescado exposto em gelo ou em balcão refrigerado. No caso de produtos embalados, a presença de selo de inspeção SIF, SIE ou SIM é um indicativo relevante de controle oficial.

Se o produto for fresco, os sinais clássicos continuam valendo e ajudam muito no dia a dia: olhos brilhantes e salientes, brânquias avermelhadas e úmidas, escamas bem aderidas e carne firme, que volta ao normal quando pressionada levemente. Quando há odor forte e desagradável, aspecto opaco, olho afundado ou carne muito mole, o melhor é não comprar.

Como identificar fraude em peixe congelado

No congelado, a atenção deve se voltar para a embalagem e para o gelo. Segundo o Inmetro, o glaciamento — a camada de gelo usada para proteger o produto — não pode entrar no peso líquido do pescado. Por isso, excesso de gelo pode ser sinal de fraude econômica, porque o consumidor acaba pagando por água como se fosse peixe. A embalagem também precisa estar íntegra, fechada e com informações claras em português.

  • peso líquido do produto;

  • tipo do pescado e nome da espécie;

  • origem ou fabricante;

  • prazo de validade;

  • forma de conservação;

  • selo de inspeção quando aplicável.

Esses dados são decisivos porque ajudam a comparar ofertas, checar procedência e diminuir o risco de levar para casa um produto trocado, mal conservado ou com peso inferior ao esperado.

Bacalhau exige atenção redobrada

Entre os itens mais procurados da época, o bacalhau merece cuidado especial. Em abril de 2025, o Ministério da Agricultura informou ter encontrado anúncios de espécies que não podiam ser comercializadas como bacalhau durante a Operação Páscoa Segura. Além disso, cartilha oficial da Anvisa informa que, na rotulagem, Gadus morhua e Gadus macrocephalus podem ser vendidos como bacalhau, enquanto saithe, ling e zarbo devem ser identificados como peixe salgado seco tipo bacalhau.

Na prática, isso significa que o consumidor deve procurar no rótulo o nome da espécie e desconfiar de peças vendidas de forma genérica, sem identificação clara. No pescado salgado e seco, também é importante recusar produto com mofo, larvas, limosidade, manchas escuras ou avermelhadas, amolecimento e cheiro desagradável.

Rotulagem ficou mais importante

A conferência do nome da espécie ganhou ainda mais peso com a Portaria nº 532/2025 do Ministério da Pesca e Aquicultura, que padronizou os nomes comuns e científicos das principais espécies de peixes de interesse comercial para a rotulagem no país. Para o consumidor, a mudança ajuda a comparar melhor os produtos e reduz espaço para confusão entre espécies diferentes vendidas como se fossem equivalentes.

Checklist rápido para comprar melhor no mercado ou na peixaria

  1. Escolha estabelecimentos limpos, regularizados e com refrigeração visível.

  2. No peixe fresco, observe olhos, brânquias, escamas, firmeza da carne e odor.

  3. No congelado, verifique a integridade da embalagem e desconfie de gelo em excesso.

  4. Leia o rótulo por completo e confirme espécie, peso líquido, validade e origem.

  5. No bacalhau e similares, não aceite produto sem identificação clara da espécie.

  6. Se houver suspeita de irregularidade, guarde nota fiscal, fotos da embalagem e acione Procon, vigilância sanitária local ou canais do Inmetro.

O que fazer depois da compra

A segurança do pescado não termina no caixa. Autoridades sanitárias recomendam não descongelar o produto em temperatura ambiente; o ideal é descongelar na geladeira ou no micro-ondas se o preparo for imediato. Também não é indicado recongelar pescado cru já descongelado. Em casa, vale separar alimento cru do cozido para evitar contaminação cruzada e armazenar sobras refrigeradas em recipiente fechado.

Por que isso importa agora

A Semana Santa concentra promoções, compras de última hora e aumento do consumo, um cenário que costuma abrir espaço tanto para erro do consumidor quanto para prática abusiva no varejo físico e online. Em março de 2026, o Ministério da Pesca e Aquicultura informou que a produção brasileira de peixes de cultivo ultrapassou 1 milhão de toneladas em 2025, o que mostra o tamanho do mercado e a importância de uma compra mais informada. Na hora de escolher, a regra mais útil é simples: preço baixo só vale a pena quando vem acompanhado de procedência, rotulagem correta e conservação adequada.

Autor

Biólogo e Médico Veterinário, com atuação voltada à saúde e bem-estar animal. Possui interesse nas áreas de clínica médica de pequenos animais.