Brasileiro News

Economia & Finanças

Colheita de oliva mira 1º milhão de litros de azeite no Brasil

Colheita de oliva mira 1º milhão de litros de azeite no Brasil
Mahmoud Yahyaoui - Pexels

Projeção para 2026 indica safra recorde, puxada pelo Rio Grande do Sul, mas produção nacional ainda cobre só uma fração do consumo interno.

Atualizado em 20 de abril de 2026 às 20:27

O Brasil entrou na colheita de oliva de 2026 com uma meta simbólica e inédita: chegar a 1 milhão de litros de azeite. A estimativa do setor foi reafirmada durante a 14ª Abertura Oficial da Colheita da Oliva, realizada em 17 de abril, em Triunfo (RS), e ganhou força com a expectativa de recuperação da safra gaúcha após dois anos marcados por perdas climáticas.

O que está em jogo nesta safra

Segundo o Canal Rural, com base em estimativas do Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva), o país deve se aproximar de 1 milhão de litros em 2026. Desse total, cerca de 800 mil litros devem sair do Rio Grande do Sul, principal polo da atividade, enquanto o restante virá de outras regiões produtoras.

Na prática, o número colocaria o setor em um novo patamar. A produção nacional ainda é pequena quando comparada ao tamanho do mercado brasileiro, mas uma safra recorde sinaliza avanço técnico dos olivais, melhor adaptação das áreas plantadas e uma retomada depois de anos difíceis.

Por que o Rio Grande do Sul é decisivo

O peso gaúcho nessa conta não é casual. Dados do governo do Rio Grande do Sul mostram que o Estado reúne 5.986 hectares de oliveiras, 321 produtores e olivais em 110 municípios. É também o maior produtor brasileiro de azeite de oliva em volume.

Foi no Rio Grande do Sul que a cadeia ganhou escala mais rapidamente, sobretudo na Metade Sul. Municípios como Encruzilhada do Sul, Canguçu, Pinheiro Machado, Bagé, Cachoeira do Sul, Santana do Livramento e São Gabriel aparecem entre os principais pontos de produção.

Recuperação depois de duas safras fracas

A projeção de 2026 também precisa ser lida à luz do que aconteceu antes. O recorde gaúcho mais recente havia sido a safra 2022/2023, quando o Estado produziu 580.228 litros, segundo a Secretaria da Agricultura do RS. Depois disso, o clima derrubou a produção.

Em 2024, a safra gaúcha caiu para perto de 193 mil litros, de acordo com a própria secretaria estadual. Em 2025, o volume ficou em torno de 190 mil litros no Estado, segundo números divulgados pelo setor. A expectativa agora é de recuperação porque o ciclo mais recente foi favorecido por condições climáticas melhores para floração e desenvolvimento dos frutos.

O recorde ainda não muda a dependência externa

Mesmo se a meta for confirmada, o Brasil continuará longe de suprir o próprio mercado. Em notícia publicada pelo governo de Minas Gerais, o consumo brasileiro é estimado em cerca de 100 milhões de litros por ano, enquanto a produção nacional responde por menos de 1% desse total.

Isso ajuda a explicar por que uma safra histórica é importante para a renda dos produtores e para a consolidação do azeite nacional, mas não deve, sozinha, mudar de forma relevante o abastecimento das gôndolas nem o preço médio ao consumidor. O mercado brasileiro segue fortemente dependente de importações.

Minas e Mantiqueira também entram na conta

Fora do Sul, a Serra da Mantiqueira é o principal contraponto ao protagonismo gaúcho. Segundo o governo mineiro, a região registrou cerca de 150 mil litros de azeite extravirgem em 2024, recuou para 60 mil litros em 2025 por causa do clima e entrou em 2026 com perspectiva de recuperação.

Esse movimento mostra que a expansão brasileira não depende de uma única área, embora o Rio Grande do Sul siga concentrando a maior parte da produção. Quanto mais regiões conseguirem estabilizar safra e qualidade, maior a chance de o país reduzir sua vulnerabilidade a perdas localizadas.

O que o consumidor deve observar

Para quem compra azeite, a safra recorde tem efeito mais direto na oferta de rótulos nacionais frescos e na visibilidade das marcas brasileiras. O avanço da produção também tende a ampliar feiras, venda direta nas propriedades, turismo ligado à olivicultura e a presença do produto nacional em empórios e supermercados especializados.

  • mais disponibilidade de azeites brasileiros da safra 2026;

  • maior disputa por espaço entre marcas nacionais premium;

  • fortalecimento do olivoturismo em polos produtores;

  • ganho de escala para uma cadeia ainda pequena no país.

O próximo teste será no fechamento da colheita

Por enquanto, o 1 milhão de litros continua sendo uma projeção de safra. O número final dependerá do desempenho da colheita e do rendimento industrial das azeitonas nos lagares. Ainda assim, o cenário de abril de 2026 já marca uma virada importante: o setor volta a falar em crescimento forte depois de um período de frustração produtiva.

Se a estimativa se confirmar, 2026 entrará para a história da olivicultura brasileira como o ano em que o país passou da fase de promessa para um novo degrau de escala — ainda pequeno diante do consumo nacional, mas grande o suficiente para reforçar o peso do azeite brasileiro no mercado.

Autor

Biólogo e Médico Veterinário, com atuação voltada à saúde e bem-estar animal. Possui interesse nas áreas de clínica médica de pequenos animais.