O avanço da gripe aviária no Cone Sul voltou a acender o alerta sanitário. Em maio de 2025, o Brasil confirmou seu primeiro foco em granja comercial, no Rio Grande do Sul, e passou a investigar quatro suspeitas em outros pontos do país. Do lado chileno, o tema voltou ao radar em 2026, com novos registros de H5N1 em criações de fundo de quintal e também em plantel comercial na região Metropolitana.
O que aconteceu no Brasil
O ponto de virada no Brasil foi a confirmação, em 15 de maio de 2025, de influenza aviária de alta patogenicidade em uma granja comercial de Montenegro, no Rio Grande do Sul. Naquele momento, o Ministério da Agricultura informou que também monitorava quatro suspeitas em produções familiares de subsistência, enquanto adotava o plano de contenção para evitar a disseminação do vírus e reduzir o impacto sobre a cadeia avícola.
O episódio teve peso econômico imediato porque o Brasil é um dos maiores exportadores de carne de frango do mundo, e embargos sanitários costumam ser automáticos em vários mercados. Em maio de 2025, países como Chile, México e Uruguai anunciaram a suspensão de importações de produtos avícolas brasileiros após a confirmação do foco gaúcho.
Por que o caso do Chile importa
No Chile, o Serviço Agrícola e Pecuário confirmou em 25 de março de 2026 o primeiro caso positivo em um plantel industrial de aves de postura na região Metropolitana, o que levou à autossuspensão temporária da certificação de exportações avícolas. Dias depois, o órgão informou a reabertura dos principais mercados de destino em menos de uma semana, após aplicar medidas de zonificação sanitária.
Além do foco comercial, o Chile confirmou novos casos em aves de traspatio, inclusive na região de Ñuble em 2 de abril de 2026. Isso mostra que o problema não está restrito a grandes granjas: a circulação do vírus em aves silvestres e criações domésticas continua sendo uma porta de entrada relevante para novos focos.
O que muda para o Brasil agora
Embora o foco comercial brasileiro de 2025 tenha sido encerrado e o país tenha comunicado à OMSA, em 18 de junho de 2025, o fim do vazio sanitário e a retomada da condição de livre da doença em granjas comerciais, o governo manteve a vigilância elevada. Em 26 de março de 2026, o Ministério da Agricultura prorrogou por mais 180 dias o estado de emergência zoossanitária em todo o território nacional por causa da circulação do H5N1 em aves silvestres.
Segundo o ministério, a prorrogação tem caráter preventivo e busca garantir resposta rápida a eventuais novos focos, mobilização de recursos e articulação entre União, estados e municípios. Na atualização oficial publicada em março de 2026, o Mapa informou que o país somava 188 focos desde o início do monitoramento, sendo 173 em aves silvestres, 14 em aves de subsistência e um em ave comercial.
Há risco para o consumidor?
As autoridades brasileiras e chilenas afirmam que o consumo de carne de aves e ovos não transmite gripe aviária. O risco para humanos é considerado baixo e se concentra principalmente em pessoas com contato direto com aves doentes, mortas ou com ambientes contaminados.
Quem é mais afetado
Os efeitos mais imediatos recaem sobre três frentes:
produtores e granjas, que podem enfrentar interdições, abate sanitário e reforço de protocolos;
exportadores, sujeitos a suspensões temporárias impostas por parceiros comerciais;
serviços de defesa agropecuária, que precisam ampliar investigação, rastreamento e controle em áreas de risco.
O que observar daqui para frente
Os próximos passos dependem, sobretudo, de dois fatores: se surgirão novos focos em granjas comerciais e se os países importadores adotarão restrições amplas ou regionalizadas. No caso brasileiro, a experiência de 2025 mostrou que um único foco comercial já é suficiente para acionar barreiras externas, mesmo quando as suspeitas em outras áreas ainda estão em investigação.
Para o produtor e para quem cria aves em pequena escala, a orientação oficial segue a mesma: reforçar a biossegurança, impedir contato entre aves domésticas e silvestres e comunicar imediatamente mortalidade anormal ou sinais respiratórios e neurológicos ao serviço veterinário. É essa resposta rápida que define se um caso fica isolado ou se vira uma crise maior para a produção e para o comércio.