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Carne de bisão virou marca dos restaurantes criados por Ted Turner

Carne de bisão virou marca dos restaurantes criados por Ted Turner
Jack Borno - Pexels

Servida em hambúrgueres, steaks e pratos clássicos do Ted’s Montana Grill, a proteína ganhou espaço nos EUA com apelo de sabor, manejo e conservação da espécie.

Atualizado em 08 de maio de 2026 às 09:02

Mais magra que a carne bovina e tratada como símbolo do Oeste americano, a carne de bisão virou a assinatura do Ted’s Montana Grill, rede criada por Ted Turner nos Estados Unidos. A proposta do grupo foi transformar um item ainda nichado em produto de grande público, com hambúrgueres, cortes e pratos do dia. O resultado ajuda a explicar por que o bisão saiu do campo da curiosidade e passou a aparecer no cardápio de uma rede nacional.

O que é a carne de bisão e por que ela chama atenção

O bisão-americano é o grande mamífero terrestre que se tornou um dos símbolos históricos dos EUA. Na mesa, sua carne costuma ser descrita como uma carne vermelha de sabor limpo, levemente adocicado e com menos gordura entremeada do que a bovina.

Essa característica muda a experiência no prato: o bisão tende a ser mais magro e, por isso, pede cocção mais cuidadosa para não ressecar. O próprio USDA orienta que a carne, por ser mais lean, não deve ser exageradamente cozida. Já o Ted’s Montana Grill apresenta o produto como naturalmente magro, rico em proteína e ferro.

Por que o bisão virou estrela do Ted’s Montana Grill

O bisão não entrou no cardápio como detalhe exótico. Ele é o centro da identidade da rede. Na página oficial de história da marca, o Ted’s Montana Grill diz ter “reintroduzido o bisão à mesa americana” e afirma servir mais carne de bisão do que qualquer outro restaurante no mundo.

A operação nasceu com essa lógica. Ted Turner, empresário conhecido também por seus ranchos e projetos de conservação, ajudou a transformar a criação de bisões em um negócio de escala. Segundo a Turner Enterprises, a empresa administra mais de 45 mil bisões em suas propriedades. No FAQ da rede, o grupo informa que a maior parte da carne servida vem justamente dos ranchos ligados a Turner, com complemento de outros criadores do país.

Como a rede serve essa carne nos EUA

O bisão aparece em diferentes formatos no cardápio, mas os hambúrgueres são a porta de entrada mais comum para o consumidor americano. O menu oficial do Ted’s Montana Grill mostra versões em que o cliente pode escolher entre beef e bison, além de pratos e entradas que exploram a proteína em outras preparações.

Na prática, isso reduz a barreira de experimentação. Em vez de vender a carne apenas como item premium ou de ocasião, a rede a coloca lado a lado com opções já familiares ao público. É uma estratégia importante para um produto que ainda não tem a presença cotidiana da carne bovina ou do frango.

O que muda no sabor e na textura

Para quem nunca comeu, a comparação mais útil é esta: bisão não é uma carne “selvagem” no sentido forte que muita gente imagina. O próprio Ted’s afirma que o sabor é um pouco mais doce que o da carne bovina e não deve ser entendido como “gamey”, termo usado nos EUA para carnes com gosto mais pronunciado.

Na textura, o principal ponto é a menor quantidade de gordura intramuscular. Isso pode agradar quem busca uma mordida mais limpa, mas também exige preparo correto. Em hambúrgueres e steaks, o ponto excessivo costuma pesar mais do que em cortes bovinos com maior marmoreio.

Por que isso importa além do cardápio

A aposta no bisão mistura gastronomia, negócio e narrativa histórica. O animal quase foi exterminado no século 19 e passou a ser associado, nas últimas décadas, a iniciativas de recomposição de rebanhos e preservação genética. Ao criar demanda comercial para a carne, redes e criadores ajudaram a dar sustentação econômica à expansão da espécie em propriedades privadas e cadeias produtivas especializadas.

Esse é um dos argumentos usados por entidades do setor. A National Bison Association defende que o consumo da proteína contribui para manter a atividade pecuária ligada ao bisão e ampliar o espaço do animal na produção agropecuária americana.

Onde a carne de bisão está hoje na rede

O Ted’s Montana Grill mantém operação em vários estados e segue usando o bisão como principal marca editorial do cardápio. A página de localizações da rede lista unidades em 14 estados, com presença forte no Sul e no Centro-Leste dos EUA, além de expansão anunciada em Athens, na Geórgia, para o verão americano de 2026.

Para o leitor brasileiro, a melhor forma de entender o fenômeno é pensar no bisão como uma carne de nicho que encontrou escala porque foi vendida com contexto: um produto ligado à paisagem do Oeste, à ideia de conservação e a uma experiência de restaurante pensada para torná-lo acessível. Nos restaurantes criados por Ted Turner, ele deixou de ser curiosidade e virou assinatura.

Autor

Biólogo e Médico Veterinário, com atuação voltada à saúde e bem-estar animal. Possui interesse nas áreas de clínica médica de pequenos animais.