O alerta para o câncer de intestino volta a ganhar força em março porque a doença segue entre as mais frequentes no país e, quando descoberta cedo, costuma ter muito mais chance de tratamento bem-sucedido. O problema é que muitos casos ainda são identificados tardiamente, depois de sinais como sangue nas fezes, mudança do hábito intestinal, dor abdominal persistente, anemia e perda de peso.
Por que o tema importa agora
O Instituto Nacional de Câncer passou a projetar 781 mil novos casos de câncer por ano no Brasil entre 2026 e 2028, considerando todos os tipos. Excluído o câncer de pele não melanoma, os tumores de cólon e reto aparecem entre os mais incidentes no país, tanto em homens quanto em mulheres, o que reforça o peso do problema para o SUS e para a detecção precoce.
No cenário mundial, a Organização Mundial da Saúde estima 1,9 milhão de novos casos e mais de 900 mil mortes por câncer colorretal em 2022. A doença é hoje a segunda principal causa de morte por câncer no mundo.
O que é câncer colorretal
O chamado câncer colorretal é o tumor que surge no cólon ou no reto, partes do intestino grosso. Em muitos pacientes, ele começa a partir de pólipos, lesões que podem ser encontradas e removidas antes de virar câncer, o que ajuda a explicar por que o rastreamento tem papel central na prevenção.
Quem deve acender o sinal de alerta
Embora a maior parte dos casos ainda ocorra em pessoas mais velhas, entidades médicas têm reforçado a preocupação com diagnósticos em faixas etárias mais jovens. A campanha Março Azul-Marinho, liderada no Brasil por sociedades médicas, vem destacando justamente a necessidade de ampliar a atenção para prevenção, sintomas e rastreamento.
Casos conhecidos, como o da cantora Preta Gil, que anunciou o diagnóstico em janeiro de 2023 e morreu em 20 de julho de 2025, e o do ator Chadwick Boseman, diagnosticado em 2016 e morto aos 43 anos em 2020, ajudaram a tornar o tema mais visível fora do ambiente médico. Eles não substituem evidência científica, mas mostram como a doença também pode atingir pessoas antes da velhice.
Quando procurar avaliação médica
Os sinais mais associados ao câncer colorretal incluem:
sangue nas fezes;
mudança recente e persistente do hábito intestinal, com diarreia ou prisão de ventre;
dor ou cólica abdominal frequente;
anemia, cansaço e fraqueza;
emagrecimento sem causa aparente.
Esses sintomas não significam, por si só, que a pessoa tem câncer, mas são motivo para investigação médica, sobretudo quando persistem.
Qual exame ajuda a prevenir
A principal mensagem das campanhas de março é simples: não esperar sintomas para cuidar do intestino. A colonoscopia é o exame mais lembrado porque permite visualizar o interior do cólon e do reto e, em muitos casos, retirar pólipos no mesmo procedimento. A pesquisa de sangue oculto nas fezes também é usada como ferramenta de rastreamento.
Segundo a Sociedade Brasileira de Coloproctologia, o rastreamento deve começar aos 45 anos para a população de risco habitual. Em pessoas com histórico familiar ou outros fatores de risco, a definição da idade ideal deve ser individualizada pelo médico.
Fatores que aumentam o risco
Entre os fatores associados ao câncer colorretal estão sedentarismo, excesso de peso, alimentação pobre em fibras e rica em carnes vermelhas e processadas, consumo de álcool e tabagismo. O histórico familiar e algumas condições hereditárias também entram nessa conta.
O que muda para o leitor depois desta leitura
Na prática, o recado é duplo. Para quem já chegou à faixa de rastreamento, vale conversar com o médico sobre quando iniciar ou atualizar os exames. Para quem é mais jovem, o ponto central é não normalizar sinais de alerta persistentes, especialmente sangue nas fezes, anemia sem explicação e alteração recente do funcionamento intestinal. Diagnóstico precoce não elimina todos os riscos, mas aumenta a chance de tratar a doença antes que ela avance.