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Briquete ganha espaço no Brasil como carvão com menos fumaça

Briquete ganha espaço no Brasil como carvão com menos fumaça
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Feito de biomassa prensada, o produto avança no churrasco e em áreas gourmet, mas a promessa de “sem fumaça” exige ressalvas na prática.

Atualizado em 22 de abril de 2026 às 15:20

O briquete, vendido em muitos casos como carvão ecológico ou carvão sem fumaça, vem ganhando espaço no Brasil como alternativa ao carvão tradicional. A principal aposta é unir menos sujeira, queima mais uniforme e menor emissão de fumaça em parte do preparo. Mas há um detalhe importante para o consumidor: no churrasco real, a fumaça não some por completo, sobretudo quando gordura e líquidos pingam sobre a brasa.

O que é o briquete e por que ele chama atenção

Na prática, o briquete é um combustível sólido feito pela compactação de resíduos vegetais. A Embrapa explica que ele pode ser produzido a partir de diferentes biomassas e que substitui a lenha em várias aplicações, inclusive em residências, lareiras e churrasqueiras.

Em publicação técnica, a Embrapa também aponta que o mercado de briquetes atende os setores industrial, comercial e residencial. Entre as vantagens citadas estão maior poder calorífico por volume, padronização, facilidade de transporte e armazenamento e aproveitamento de resíduos que, de outra forma, seriam descartados.

Esse conjunto ajuda a explicar por que o produto passou a despertar interesse fora do uso industrial. Para quem faz churrasco em casa, a padronização das peças e a queima mais estável costumam pesar tanto quanto o discurso ambiental.

Por que a promessa de pouca fumaça virou argumento de venda

O apelo comercial é claro: churrasco mais limpo, com menos cinza e menos incômodo para quem mora em áreas urbanas. Isso já aparece com força no varejo digital. Em marketplaces como o Mercado Livre, produtos desse tipo são anunciados justamente com foco em menos fumaça, queima longa e uso doméstico.

Há uma razão técnica para isso. Como o briquete nasce de material seco e prensado, ele tende a oferecer combustão mais regular do que lotes irregulares de carvão comum, com menos farelo e menos fragmentos soltos. Em estudo da Universidade Federal do Ceará sobre briquetes de coco, uma das vantagens listadas é a geração de menos cinza, fumaça e fuligem, além da baixa umidade e da regularidade térmica.

O que muda na prática para quem usa churrasqueira

O ganho mais percebido costuma estar em três pontos:

  • manuseio mais limpo;

  • brasa mais uniforme;

  • menor oscilação durante o preparo.

Mas isso não significa churrasco sem fumaça em qualquer situação. Métodos de preparo com bandeja coletora ou cozimento indireto ajudam bastante porque evitam que gordura pingue direto na fonte de calor. A Weber, em suas orientações de uso, recomenda inclusive o emprego de drip tray, a bandeja coletora, com um pouco de água em preparos indiretos. O objetivo é justamente receber os líquidos que caem da carne e reduzir labaredas e fumaça excessiva.

Em outras palavras, o briquete pode reduzir a fumaça, mas não é uma solução mágica. Cortes muito gordurosos, marinadas açucaradas, churrasqueira suja ou carvão ainda em fase de acendimento continuam aumentando a fumaça do ambiente.

O que observar antes de comprar

Antes de trocar o carvão tradicional pelo briquete, vale prestar atenção em quatro pontos:

  1. Tempo de acendimento: alguns briquetes demoram mais para entrar no ponto ideal.

  2. Tipo de uso: eles costumam funcionar melhor quando a proposta é manter brasa estável por mais tempo.

  3. Ambiente: mesmo produtos vendidos como sem fumaça exigem local ventilado e respeito às regras do imóvel.

  4. Expectativa realista: a redução de fumaça depende tanto do combustível quanto do jeito de assar.

Por que isso importa agora

Há um contexto favorável para esse avanço. O Balanço Energético Nacional 2025, da EPE, mostrou crescimento de 8,0% no consumo de energia do setor residencial em 2024. Isso não mede diretamente o uso de briquetes no churrasco, mas reforça, por inferência, o peso crescente de soluções domésticas mais práticas e padronizadas para cozinhar e aquecer em casa.

No fim, o substituto do carvão tradicional que hoje mais ganha tração no Brasil é o briquete de biomassa, inclusive versões de madeira e de coco. Ele atende a uma demanda muito específica do consumidor urbano: manter a experiência da brasa, com menos sujeira e menor emissão de fumaça em parte do processo. Só não convém comprar a ideia de fumaça zero. No churrasco, a diferença entre marketing e realidade começa quando a gordura encontra o calor.

Autor

Advogada, apaixonada por livros e séries. Também atuo como editora de conteúdos de variedades, unindo informação, criatividade e comunicação.