O Brasil manteve em 2025 sua pior classificação no Índice de Percepção da Corrupção, elaborado pela Transparência Internacional, ao registrar 35 pontos em escala de 0 a 100, segundo relatório divulgado em 10 de fevereiro. A nota repetiu a segunda pior marca histórica e confirmou a estagnação do país no ranking que avaliou 182 nações.
Estagnação e cenário global
No ranking anual, o país ocupou a 107ª posição, ficando abaixo da média global e da média das Américas, ambas em 42 pontos. A variação de apenas um ponto em relação a 2024 foi considerada estatisticamente irrelevante, indicando ausência de melhoria no combate à corrupção.
Em contraste, países com melhor desempenho reforçaram a distância em relação ao Brasil: Dinamarca (89), Finlândia (88) e Cingapura (84) lideraram o indicador, seguidos por nações como Nova Zelândia (81), Noruega (81) e Suécia (80).
Agravamento de práticas ilícitas no Brasil
O relatório paralelo Retrospectiva 2025 chama atenção para a infiltração do crime organizado em estruturas estatais, destacando casos de macrocorrupção envolvendo o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e o Banco Master. Segundo a ONG, as investigações expuseram falhas estruturais no sistema financeiro e na advocacia, setores apontados como estratégicos para a prática de fraudes.
Além disso, o documento aponta que as emendas parlamentares atingiram valor recorde ao ultrapassar R$ 60 bilhões no orçamento de 2026, configurando um processo de “captura orçamentária” que abrange Executivo, Legislativo e entes federados.
Recomendações para os Três Poderes
Para enfrentar o avanço da corrupção, a Transparência Internacional propõe um conjunto de medidas:
Executivo: maior transparência na execução orçamentária, critérios técnicos em nomeações para agências regulatórias e fortalecimento de investigações baseadas em inteligência financeira.
Judiciário: adoção de código de conduta no Supremo Tribunal Federal, definição de regras sobre conflitos de interesse e aceleração de apurações de macrocorrupção.
Legislativo: aprimoramento do controle das emendas parlamentares, regulamentação do lobby, revisão do Estatuto da Advocacia e instalação de CPMI para investigar o Banco Master.
Resposta da Controladoria-Geral da União
A Controladoria-Geral da União (CGU) questionou a metodologia do IPC por medir a percepção de grupos específicos e não a ocorrência real de casos de corrupção. O órgão ressaltou que variações no índice podem não refletir mudanças efetivas na atuação do Estado.
A CGU também destacou que foi o atual governo responsável por identificar e apurar o esquema no INSS, resultando em processos administrativos, prisões e ressarcimento de quase R$ 3 bilhões a aposentados. Segundo o órgão, as fragilidades apontadas já estão sendo corrigidas.
Posicionamento internacional
O relatório evidenciou ainda tendência de aumento na percepção de corrupção em democracias consolidadas, como Estados Unidos (64), Canadá (75), Reino Unido (70) e França (66). Esse movimento reforça o desafio global de aprimorar transparência e mecanismos de controle.
Enquanto o Brasil permanece abaixo da média regional e global desde 2015, analistas veem na combinação de reformas institucionais e maior fiscalização baseada em inteligência financeira caminhos cruciais para reverter o quadro de estagnação.