O Brasil começou 2026 na dianteira dos embarques de soja para a China. Dados atuais da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (ANEC) mostram que o país asiático ficou com 71% da soja brasileira exportada no acumulado de janeiro e fevereiro, reforçando a posição do Brasil como principal fornecedor do grão para o maior comprador mundial.
O que os dados mais recentes mostram
No levantamento semanal mais recente disponível da ANEC, o Brasil soma 11,32 milhões de toneladas de soja embarcadas em janeiro e fevereiro de 2026. Desse total, a China respondeu por 71% dos destinos no bimestre. Em janeiro sozinho, a fatia chinesa foi de 66%.
Na prática, isso significa que algo em torno de 8 milhões de toneladas da soja exportada pelo Brasil no primeiro bimestre teve como destino o mercado chinês, com base na participação informada pela entidade. Mesmo com a volta de concorrência americana em parte do comércio global, o fluxo Brasil-China segue dominante neste começo de ano.
Por que isso importa agora
A China é o principal cliente externo da soja brasileira e seu apetite ajuda a definir ritmo de embarques, prêmios nos portos, demanda logística e parte importante da geração de receita do agro. Em fevereiro de 2026, o governo federal informou que o complexo soja liderou as exportações do agronegócio brasileiro, com US$ 3,78 bilhões, enquanto a China permaneceu como principal destino do agro nacional, com US$ 3,6 bilhões no mês.
Esse peso explica por que a liderança brasileira na soja para a China não é apenas um dado comercial. Ela afeta produtores, tradings, portos, transportadoras e também a entrada de dólares na balança comercial.
Safra grande sustenta a liderança
A base dessa vantagem continua sendo a oferta. No 6º Levantamento da Safra 2025/26 da Conab, divulgado em 13 de março de 2026, a produção brasileira de soja foi estimada em 177,8 milhões de toneladas, um novo recorde se confirmado. A estatal também projeta exportações de soja de até 114,39 milhões de toneladas em 2026, o que igualmente pode marcar recorde.
Com colheita volumosa, o Brasil mantém capacidade de abastecer a China em larga escala justamente no período em que a safra sul-americana ganha força no mercado internacional. Isso ajuda a explicar por que os embarques brasileiros crescem de forma mais intensa a partir do fim do verão no hemisfério sul.
O pano de fundo: 2025 já tinha consolidado o Brasil
O avanço de 2026 não começou do zero. Em 2025, o Brasil já havia ampliado sua presença no mercado chinês. Segundo levantamento citado pela Reuters e por analistas do setor, o país respondeu por 73,6% das importações chinesas de soja no ano passado, acima dos 71% de 2024. Em outra frente, estimativas reportadas no mercado indicam que os embarques brasileiros para a China passaram de 85 milhões de toneladas em 2025.
Esse histórico recente ajuda a entender por que, mesmo com mudanças no ambiente comercial global, o Brasil entrou em 2026 ainda em posição de liderança.
O que pode mudar nos próximos meses
A liderança brasileira não elimina riscos. Em março, agentes do mercado relataram aperto nas checagens fitossanitárias sobre cargas destinadas à China, o que pode desacelerar embarques pontualmente se houver mais exigências operacionais. Além disso, o retorno de parte das vendas dos Estados Unidos ao mercado chinês pode reduzir a participação brasileira ao longo do ano, ainda que sem tirar o Brasil do posto de principal fornecedor neste momento.
Também é preciso olhar o calendário de oferta. A China costuma diversificar compras entre origens ao longo do ano, conforme preço, frete, câmbio, estoques e janela de colheita. Por isso, a fotografia atual confirma a liderança do Brasil no início de 2026, mas a participação exata pode oscilar nos próximos meses.
O que o leitor deve observar daqui para frente
Para acompanhar se essa liderança vai se manter no mesmo nível, os sinais mais importantes são:
novos relatórios semanais da ANEC sobre embarques e destinos;
atualizações da Conab sobre colheita, produção e exportação;
dados mensais do governo sobre a balança comercial do agro;
eventuais mudanças sanitárias ou comerciais nas compras chinesas.
Hoje, o retrato é claro: o Brasil segue liderando os embarques de soja para a China em 2026, sustentado por safra grande, escala exportadora e pela manutenção da China como principal compradora do agronegócio brasileiro.