O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou a aquisição de R$ 375 milhões em debêntures da GNA II Geração de Energia S.A. para reforçar o financiamento da UTE GNA II, termelétrica a gás natural instalada no Porto do Açu, em São João da Barra (RJ). A informação foi publicada pela Agência BNDES de Notícias em 30 de janeiro.
O investimento ocorre em um momento em que o sistema elétrico brasileiro busca mais segurança e previsibilidade, sobretudo com o crescimento de fontes renováveis intermitentes, como eólica e solar. Segundo o BNDES, o aporte fortalece a segurança do sistema elétrico nacional, amplia a capacidade de geração e gera impactos econômicos relevantes.
Como funciona a operação de R$ 750 milhões em debêntures
A compra do BNDES corresponde a 50% de uma emissão total de R$ 750 milhões em debêntures. A outra metade foi adquirida pela Kinea Investimentos. De acordo com o anúncio, os recursos vão complementar o investimento necessário para a implantação da usina, que já havia contado com financiamento direto do BNDES de R$ 3,93 bilhões, aprovado em novembro de 2020.
O modelo combina capital público e privado para viabilizar infraestrutura energética e, no caso da UTE GNA II, a operação é descrita como atrativa por reunir características como fluxo de caixa previsível e garantias reais do projeto.
UTE GNA II: 1.672,6 MW e operação comercial desde maio de 2025
A UTE GNA II é uma usina termelétrica a gás natural em ciclo combinado, com capacidade instalada de 1.672,6 MW. A planta entrou em operação comercial em maio de 2025.
No Porto do Açu, ela integra, junto com a UTE GNA I, o Complexo Termelétrico do Porto do Açu, descrito como o maior parque termelétrico a gás natural da América Latina.
Porto do Açu vira polo energético e fortalece a logística do gás natural
O texto também destaca o Porto do Açu como um polo que reúne infraestrutura portuária, logística e energética integrada, com localização estratégica para facilitar o acesso ao gás natural. A avaliação é que a presença da termelétrica no complexo reduz gargalos logísticos e melhora a eficiência operacional, contribuindo para a competitividade do empreendimento.
Empregos e efeito na economia local durante a implantação
Durante a fase de implantação da UTE GNA II, o projeto gerou aproximadamente 22 mil empregos diretos e indiretos, com impacto em setores como construção civil, serviços especializados, logística e fornecimento de equipamentos industriais. Além disso, a operação da usina mantém empregos qualificados e gera arrecadação para o município e para o estado do Rio de Janeiro.
Hidrogênio e dessalinização entram no radar da usina
Segundo o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, o projeto faz parte da estratégia do governo do presidente Lula de garantir a segurança de abastecimento do sistema elétrico nacional.
A UTE GNA II foi projetada para operar com até 50% de hidrogênio em substituição ao gás natural e utiliza água do mar por meio de dessalinização, preservando recursos hídricos continentais — pontos apresentados como alinhados às discussões de transição energética sem abrir mão da confiabilidade do fornecimento.
Por que esse investimento chama atenção no setor elétrico
Com R$ 375 milhões em debêntures e uma usina de 1.672,6 MW já em operação comercial, o anúncio reforça o papel do BNDES no financiamento de projetos considerados estratégicos para a matriz elétrica. A UTE GNA II, no Porto do Açu, se consolida como um ativo relevante para ampliar a oferta de energia firme e dar suporte ao sistema em momentos de pico de demanda e maior variabilidade das renováveis.
Fonte: Agência BNDES.