Mercado começa a descartar retomada do bull market
Dados do TradingView mostram que o BTCUSD chegou a subir cerca de 2% no intradia, mas a recuperação ocorreu depois de o preço tocar US$ 74.532, o menor nível em 16 meses na corretora Bitstamp.
Mesmo com o repique, o consenso entre participantes do mercado é pessimista. Níveis em torno de US$ 74.000 ou abaixo passaram a ser citados com frequência como possíveis próximos alvos, caso o suporte atual seja perdido.
A mesa de operações da QCP Capital alertou que os próximos dias serão decisivos:
“Um fechamento consistente abaixo de US$ 74 mil aumenta significativamente o risco de uma correção mais profunda, podendo levar todo o mercado cripto de volta à faixa de negociação observada em 2024.”
Analistas apontam US$ 126 mil como possível topo do Bitcoin
A confiança em uma retomada rápida do movimento de alta parece limitada. O trader Jelle afirmou em publicação recente que a estrutura de tendência foi rompida:
“Novo fechamento semanal em mínima. A tendência de alta foi encerrada de forma confirmada. Deve levar tempo até uma reversão.”
Na mesma linha, o analista Rekt Capital destacou que o Bitcoin dificilmente voltará a desafiar sua máxima histórica de US$ 126.200, registrada em outubro de 2025:
“Tudo indica que aquele nível marcou o topo.”
Quatro meses no vermelho: sinal raro na história do BTC
Segundo dados da CoinGlass, janeiro marcou o quarto candle mensal consecutivo de queda para o Bitcoin — algo que ocorreu apenas duas vezes antes, durante os mercados de baixa de 2014 e 2018.
Esse padrão histórico reforça o argumento de que o ativo pode estar passando por uma fase prolongada de correção, em vez de um simples ajuste pontual dentro de um bull market.
Queda do ouro pode beneficiar o mercado cripto
Apesar do cenário negativo, alguns analistas veem espaço para uma virada no médio prazo, especialmente diante dos movimentos recentes do ouro.
Após meses em trajetórias opostas, Bitcoin e ouro mostraram comportamento semelhante no curto prazo. O XAU/USD, que vinha renovando máximas, recuou fortemente e tentou se estabilizar próximo de US$ 4.700 por onça.
A QCP Capital relacionou essa correção à nomeação de Kevin Warsh como próximo presidente do Federal Reserve dos EUA:
“A mudança pesou sobre a demanda por metais preciosos sem rendimento, movimento intensificado por exigências mais altas de margem nos mercados futuros, o que acelerou o fechamento de posições alavancadas.”
“Quando o ouro para, o Bitcoin costuma reagir”, diz analista
Para o trader e empreendedor cripto Michaël van de Poppe, o Bitcoin ainda pode seguir padrões históricos conhecidos. Segundo ele, o BTC costuma reagir com atraso após o ouro atingir um topo relevante.
“Historicamente, quando o ouro faz topo, o Bitcoin vem depois. Quando o BTC retorna acima de US$ 88 mil, o Ethereum acompanha. Esse ritmo não muda, apenas ficou mais complexo.”
Van de Poppe acredita que novas máximas para ouro e prata não devem ocorrer tão cedo:
“Não vejo novos recordes para metais preciosos durante 2026. Isso pode abrir espaço — ou ‘as comportas’ — para uma nova fase de valorização do mercado cripto.”