O bitcoin registrou nova queda e chegou a valer US$ 65 mil (aproximadamente R$ 342 mil), o patamar mais baixo em 15 meses, desde outubro de 2024. A desvalorização de 24% em 2026 acontece mesmo após o forte apoio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, às criptomoedas.
Contexto político e impulso inicial
O recuo inverteu uma sequência de altas que levou a criptomoeda a cravar recorde de US$ 122 mil em outubro do ano passado. O envolvimento de Trump com o setor começou logo no retorno à Casa Branca, em janeiro de 2025, com uma ordem executiva destinada a transformar os Estados Unidos na “capital mundial das criptomoedas”.
Em seu primeiro ano de governo, o presidente lançou uma moeda digital própria, destinando a maior parte dos lucros a empresas de sua família, além de manter vínculos com a World Liberty Financial, plataforma de investimentos em ativos cripto.
Marco regulatório e críticas
No âmbito legal, o governo concedeu respaldo federal às criptomoedas e dissolveu uma equipe do Departamento de Justiça responsável pela fiscalização do setor. A SEC (Securities and Exchange Commission) também interrompeu investigações ligadas a ativos digitais.
Em novembro, integrantes democratas do Comitê Judiciário do Senado dos EUA reprovaram essa agenda pró-criptomoedas, apontando que o presidente acumulou participações que somam mais de US$ 11 bilhões e obteve renda pessoal de US$ 800 milhões em transações desde que assumiu o cargo.
Desencadeador da recente queda
Analistas do Deutsche Bank atribuíram a recente correção ao anúncio, na última quarta-feira, da nomeação de Kevin Warsh como presidente do Federal Reserve. Há expectativas de que Warsh adote postura mais rígida, mantendo juros elevados, o que tende a reduzir o apetite por ativos de maior risco, como criptomoedas.
Essa venda constante sinaliza que investidores tradicionais estão perdendo o interesse, e o pessimismo em relação às criptomoedas está crescendo.”
— Deutsche Bank
Visão de mercado e perspectivas
William Barhydt, diretor executivo da Abra Capital Management, avalia que o setor está caminhando para uma fase de maior maturidade e espera recuperação dos preços. “Não consigo imaginar como isso não aconteceria”, disse, lembrando que volatilidade já foi registrada em ciclos anteriores.
Impacto amplo e tendências
Outras criptomoedas, como ethereum e solana, também sofreram forte correção, com queda de cerca de 37% em 2026. Segundo a CoinGecko, o mercado cripto perdeu mais de US$ 1 trilhão em valor apenas no último mês, totalizando US$ 2 trilhões desde o pico de outubro.
A Stifel, empresa de investimentos sediada nos EUA, alertou que o bitcoin pode desacelerar até US$ 38 mil, acompanhando uma nova tendência de ativos digitais seguirem o desempenho do dólar americano. Na semana anterior, a moeda americana atingiu sua cotação mais baixa em quatro anos.
Movimentação acumulada
Queda em 2026: 24%
Baixa nos últimos 12 meses: 32%
Recorde histórico: US$ 122 mil em outubro de 2024
Patamar atual: US$ 65 mil (R$ 342 mil)
O ciclo de correções reforça a volatilidade do bitcoin, mas também sinaliza o amadurecimento do mercado, que passa a buscar fundamentos claros para justificar investimentos em ativos digitais.