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Beto Carrero World: de circo a 2º melhor do mundo

Beto Carrero World: de circo a 2º melhor do mundo
Reprodução

Projeto criado por João Batista Sérgio Murad nasceu em Penha em 1991 e ganhou reconhecimento global após décadas de expansão e fortalecimento da marca

Atualizado em 18 de fevereiro de 2026 às 13:35

Beto Carrero World transformou, em Penha, Santa Catarina, um personagem criado por João Batista Sérgio Murad em um dos parques temáticos mais conhecidos da América Latina; inaugurado em 28 de dezembro de 1991 e impulsionado por décadas de expansão, o empreendimento entrou no radar global ao ser eleito o segundo melhor parque temático do mundo no Travellers’ Choice Awards 2025, do Tripadvisor.

A trajetória por trás do complexo ajuda a explicar como um projeto de entretenimento brasileiro ganhou escala. Antes de virar parque, Beto Carrero foi personagem, marca e espetáculo itinerante, uma construção feita em etapas, com presença em diferentes mídias e uma leitura cuidadosa do que atraía o público.

Da infância no interior ao nascimento de um personagem

João Batista Sérgio Murad nasceu em 9 de setembro de 1937, em São José do Rio Preto, no interior de São Paulo. Penúltimo entre 11 irmãos, cresceu em uma família humilde e, ainda jovem, alimentou o imaginário de heróis e aventuras que mais tarde ajudaria a formar a identidade do cowboy Beto Carrero.

A construção do personagem não veio como um salto repentino. Ao longo do caminho, Murad acumulou experiências em comunicação e palco, o que deu base para transformar carisma em produto cultural.

Uma carreira em camadas antes do parque existir

Antes de consolidar o nome Beto Carrero, Murad trabalhou como locutor de rádio até os 21 anos. Também atuou como músico sertanejo, apresentador em shows de rádio e vendedor de anúncios, funções que, na prática, exigiam desenvoltura, persuasão e entendimento de audiência.

Com o tempo, estruturou uma agência de propaganda que chegou ao grupo das 20 maiores do Brasil, ampliando sua atuação no mercado publicitário e editorial. Na década de 1970, já trabalhava como agente de artistas consagrados e promovia shows em feiras, rodeios e exposições no Brasil e no exterior.

Por que o nome “Beto Carrero” virou marca

O nome Beto Carrero surgiu como homenagem ao pai, Alexandre Carrero, conhecido por conduzir carro de boi. O detalhe familiar deu ao personagem uma origem afetiva e facilmente reconhecível, ajudando na identificação popular.

No início dos anos 1980, o personagem foi lançado oficialmente ao lado do cavalo Faísca. A figura do cowboy brasileiro ganhou consistência visual e narrativa, reforçando um estilo de aventura pensado para conversar com diferentes idades.

Quadrinhos, cinema e circo: a expansão antes do destino fixo

A projeção do personagem ocorreu antes da inauguração do parque. Em 1985, Beto Carrero chegou aos quadrinhos com “As Aventuras de Beto Carrero”, pela editora Cluq. Depois, participou do cinema em “Os Trapalhões no Reino da Fantasia”, ao lado de Xuxa.

O universo circense também foi parte central dessa construção. O antigo circo Beto Carrero circulou pelo país e ajudou a testar atrações, linguagem e resposta do público em diferentes praças, um passo importante antes de apostar em uma estrutura permanente.

Outro componente dessa consolidação foi a identidade visual: o designer Hans Donner criou a logomarca Beto Carrero, usada inicialmente na divulgação de uma grife country da empresa Beto Carrero Indústria e Comércio Ltda., fortalecendo a presença comercial do nome.

Penha, 1991: o começo do Beto Carrero World

O parque foi aberto em 28 de dezembro de 1991, em Penha, com uma estrutura inicial modesta: alguns brinquedos infantis e duas lonas de circo. A partir daí, o espaço passou por sucessivas ampliações, ganhou áreas temáticas e novas atrações, até consolidar o Beto Carrero World como referência regional.

Décadas depois, o reconhecimento também veio de fora. No Travellers’ Choice Awards 2025, do Tripadvisor, o empreendimento foi eleito o segundo melhor parque temático do mundo, um marco simbólico para um projeto que nasceu no entretenimento popular brasileiro.

Legado após 2008 e continuidade do projeto

João Batista Sérgio Murad morreu em 1º de fevereiro de 2008, mas o parque seguiu em operação e manteve a estratégia de atualização da oferta ao público. O complexo também preserva a narrativa de origem por meio do Memorial Beto Carrero World, em Penha.

Com investimentos bilionários e planos de ampliação que incluem projetos de complexo hoteleiro, o empreendimento busca aumentar o tempo de permanência dos visitantes e reforçar seu peso econômico e turístico em Santa Catarina, sem se desligar da história do personagem que deu origem a tudo.

Autor

Advogada, apaixonada por livros e séries. Também atuo como editora de conteúdos de variedades, unindo informação, criatividade e comunicação.