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Banco Central: inadimplência sobe a 5,5% em janeiro

Banco Central: inadimplência sobe a 5,5% em janeiro
Pixabay - Pexels

Juros altos (Selic 15%) e menor oferta de crédito pressionam consumidores; estoque total caiu para R$ 7,116 trilhões

Atualizado em 26 de fevereiro de 2026 às 17:15

Banco Central aponta que a inadimplência em empréstimos com recursos livres chegou a 5,5% em janeiro, o maior patamar desde agosto de 2017, em meio a juros elevados (Selic a 15% ao ano) e queda nas concessões de crédito.

Levantamento do Banco Central

Os dados divulgados pelo Banco Central nesta quarta-feira (25) mostram agravamento da inadimplência em janeiro, ante 5,4% em dezembro. Na comparação em 12 meses, o índice subiu 1,1 ponto percentual.

O aumento ocorre num cenário em que a taxa básica de juros permanece em 15% ao ano após um ciclo intenso de aperto que foi interrompido em julho. O Banco Central manteve o patamar elevado no início deste ano, mas indicou a possibilidade de iniciar cortes na Selic no próximo mês, conforme o relatório de indicações da autoridade monetária.

No último Relatório de Política Monetária, divulgado em dezembro, o próprio Banco Central atribuiu parte do avanço da inadimplência projetada para 2025 a mudanças nas regras de classificação de crédito, ao mesmo tempo em que reportou sinais iniciais de estabilização do indicador.

Queda nas concessões e impacto no estoque de crédito

Os empréstimos concedidos recuaram expressivamente: a oferta total de crédito caiu 18,9% em janeiro em relação a dezembro. Como reflexo, o estoque total de crédito no sistema financeiro diminuiu 0,2%, ficando em R$ 7,116 trilhões.

Ao detalhar por tipo de operação, o Banco Central registrou redução de 17,2% nas novas concessões com recursos livres, ou seja, operações em que bancos e clientes negociam termos livremente. Nos financiamentos com recursos direcionados — aqueles regulados por regras definidas pelo governo — a retração foi mais intensa, de 32,9%.

Juros bancários e spread

As taxas cobradas pelos bancos também acompanharam a pressão: no crédito com recursos livres, os juros médios subiram para 47,8% ao ano em janeiro, alta de 1,2 ponto percentual sobre dezembro. Nas operações com recursos direcionados, a taxa média foi de 11,6% ao ano, avanço de 0,2 ponto percentual.

O spread bancário — a diferença entre o custo de captação das instituições e o preço final cobrado dos clientes — avançou para 34,3 pontos percentuais nas operações com recursos livres, ante 33,0 pontos em dezembro. Esse indicador reflete custos, provisões para calotes e margem das instituições.

O que muda para consumidores e empresas

Com menos oferta de crédito e juros mais altos, a capacidade de tomada de empréstimos por famílias e empresas tende a ficar mais restrita, o que pode reduzir consumo e investimento no curto prazo. A combinação de maior inadimplência e spread mais amplo tende a elevar o custo efetivo do crédito para novos tomadores.

Ao mesmo tempo, a sinalização do Banco Central sobre a possibilidade de cortes na Selic já a partir do próximo mês indica que o cenário monetário pode mudar nos próximos trimestres — o que, se confirmado, pode repercutir nas taxas cobradas pelos bancos e na dinâmica da concessão de crédito.

A comunicação do Banco Central e a evolução dos indicadores de emprego e renda serão elementos-chave para acompanhar se a inadimplência realmente encontra um piso ou se seguirá pressionada pelos juros ainda elevados e pela contração da oferta de crédito.

Autor

Advogada, apaixonada por livros e séries. Também atuo como editora de conteúdos de variedades, unindo informação, criatividade e comunicação.