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Anvisa retira leite condensado e suplementos do mercado após identificar risco à saúde e promessas sem comprovação científica

Anvisa retira leite condensado e suplementos do mercado após identificar risco à saúde e promessas sem comprovação científica
Valter Campanato/Agência Brasil

Atualizado em 04 de fevereiro de 2026 às 09:31

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a retirada imediata de um lote de leite condensado e de dois suplementos alimentares comercializados no Brasil após fiscalizações apontarem risco à saúde dos consumidores, irregularidades sanitárias e propaganda enganosa. A decisão tem validade em todo o território nacional e reforça o alerta sobre a importância de verificar a procedência dos produtos antes da compra.

Leite condensado é interditado após reprovação em análise microbiológica

A medida mais grave envolve um lote de leite condensado semidesnatado da marca La Vaquita, que foi interditado de forma cautelar depois de apresentar resultados insatisfatórios em testes laboratoriais.

A análise microbiológica identificou a presença de estafilococos coagulase positiva acima do limite permitido pela legislação sanitária. Esse tipo de bactéria pode produzir toxinas resistentes ao calor e está associada a quadros de intoxicação alimentar, com sintomas como náuseas, vômitos, diarreia, dor abdominal e mal-estar generalizado.

Segundo especialistas em vigilância sanitária, mesmo quando o alimento aparenta estar em boas condições, a contaminação microbiológica pode não ser perceptível ao consumidor.

Origem do produto entra em investigação

Durante o processo de fiscalização, surgiram divergências sobre a origem do leite condensado interditado, o que levou a Anvisa a aprofundar a apuração sobre a cadeia de produção e distribuição do produto.

Enquanto a investigação segue em andamento, a recomendação oficial é clara: o consumo do lote interditado não deve ocorrer em hipótese alguma, independentemente do local onde o produto tenha sido adquirido.

Suplementos prometiam tratar doenças sem respaldo científico

Além do alimento, a Anvisa determinou a apreensão e suspensão da venda de dois suplementos alimentares, identificados como Glicojax e Durasil.

De acordo com a agência reguladora, os produtos apresentavam origem desconhecida e eram divulgados com alegações terapêuticas proibidas, o que infringe a legislação brasileira.

  • O Glicojax era anunciado como auxiliar no controle da glicose, na saúde metabólica e até no tratamento do diabetes.

  • Já o Durasil, comercializado em gotas, prometia alívio de dores e melhora da função sexual masculina.

No Brasil, suplementos alimentares não podem prometer prevenção, tratamento ou cura de doenças, pois não passam pelos mesmos testes clínicos exigidos para medicamentos.

Anúncios são removidos de plataformas digitais

Após a determinação da Anvisa, plataformas de comércio eletrônico removeram os anúncios dos suplementos irregulares e iniciaram ações contra os vendedores responsáveis.

Marketplaces reforçaram que mantêm políticas rígidas contra a venda de produtos sem autorização sanitária e utilizam sistemas de monitoramento, tecnologia antifraude e canais de denúncia para identificar irregularidades.

A comercialização de produtos fora das normas pode resultar em bloqueio de contas, penalidades financeiras e comunicação às autoridades competentes.

Risco crescente com suplementos vendidos online

O caso reacende o debate sobre o crescimento da venda de suplementos pela internet, muitos deles sem registro, sem procedência clara e com promessas que exploram a vulnerabilidade de pessoas em busca de soluções rápidas para problemas de saúde.

Especialistas alertam que o consumo desses produtos pode:

  • mascarar doenças,

  • atrasar diagnósticos,

  • causar efeitos adversos,

  • interagir com medicamentos de uso contínuo.

Orientações ao consumidor

A Anvisa reforça algumas recomendações essenciais para evitar riscos:

  • Verifique se o produto possui registro ou regularização na Anvisa

  • Desconfie de promessas milagrosas

  • Evite suplementos que afirmem tratar doenças

  • Observe rótulos, lote, validade e fabricante

  • Em caso de dúvida, consulte um profissional de saúde

Consumidores que identificarem produtos suspeitos podem fazer denúncia diretamente aos canais oficiais da vigilância sanitária.

Fiscalização como ferramenta de proteção à saúde pública

A retirada do leite condensado e dos suplementos do mercado mostra a importância da atuação contínua da vigilância sanitária para proteger a saúde da população, especialmente em um cenário de aumento do comércio digital e da circulação de produtos de origem incerta.

A Anvisa segue monitorando alimentos e suplementos em todo o país, e novas ações não estão descartadas caso outras irregularidades sejam identificadas.

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